Conquista do primeiro milhão antes dos 30 anos, shoppings centers, logísticas de distribuição em massa, estratégias mirabolantes de marketing, hipermercados, prazer em comprar, compras por impulso. Você já parou para pensar que tudo isso é fruto de uma lógica de consumo enraizada na sociedade?

Para o bem da nossa saúde, no entanto, o estilo de vida frenético já ganhou uma alternativa conhecida como lowsumerism – algo como “baixo consumo”. A ideia agrupa atitudes e posturas que têm conquistado cada vez mais adeptos no Brasil e no mundo.

Tá, mas o que é isso?

Praticar o lowsumerism é ser mais consciente e consumir menos. O movimento envolve uma junção de, pelo menos, três atitudes simples: sempre pensar antes de comprar, buscar alternativas de menor impacto para os recursos naturais – como trocar, consertar ou criar -, e viver apenas com o que é necessário. No vídeo, você consegue entender melhor esses princípios:

Como esse conceito surgiu?

Para entender o lowsumerism, vamos começar com as origens do lifestyle oposto: o consumismo. A prática surgiu no começo do século XX, alguns anos depois da revolução industrial ter ampliado a capacidade das fábricas para um nível de produção em massa. Basicamente, havia a capacidade de entregar muito mais bens de consumo do que as pessoas precisavam – sendo que elas já estavam acostumadas a ter apenas a comida, roupas e objetos necessários para sobreviver.

E, para girar a roda do capitalismo e vender todos os bens e serviços dessa produção massificada, surgiram as primeiras campanhas publicitárias. Edouard Beynards, sobrinho do Freud (sim, o psicanalista), foi considerado um dos pioneiros do marketing e da propaganda nesse período.

Beynards começou a traçar estratégias de comunicação com base nos conhecimentos do subconsciente que seu tio desenvolveu. Com isso, as grandes corporações passaram a influenciar a população para que comprassem mais itens, com uma mensagem de mudança do estilo de vida e pertencimento social.

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As pessoas passaram a depender tanto do consumo que frases como “eu valho o que eu tenho” ficaram fixas nas ruas, nas mentes e nos comportamentos: ninguém queria mais o básico, mas sim aqueles produtos que traziam algum tipo de status (fosse pela quantidade, pelo preço ou pela aparência que possuíam).

O ato de comprar passou a ser um termômetro social e mostrava o quanto de dinheiro cada pessoa tinha. E isso passou a ser o mais importante entre a população que via o “American Dream” como o plano de vida ideal. Nessa concepção, qualquer um poderia atingir o sucesso, a prosperidade e um padrão para se viver, desde que trabalhasse duro – e as pessoas realmente faziam de tudo para alcançar esse objetivo.

O fim da vida de aparências.

Mas esse consumo exacerbado, apesar de trazer muito dinheiro aos empresários, não conseguiu se sustentar plenamente. Os Estados Unidos, país que acabou popularmente conhecido como a nação do consumismo, sentiu primeiro os efeitos negativos da compra desenfreada.

O ápice aconteceu em 2008, em um episódio conhecido como “crise do subprime”. A recessão daquele ano foi o auge do desastre – ou, melhor dizendo, o fundo do poço financeiro americano – que estava tomando forma desde o século anterior, como explica o estudo “The Frugal Future”, desenvolvido pelo economista David A. Rosemberg. A pesquisa, que aborda várias causas e consequências da crise, foi desenvolvida para os clientes e investidores do banco Merrill Lynch, um dos grandes centros de investimentos do país, que criou um direcionamento em meio ao desespero.

Desencadeado pela grande concessão de empréstimos hipotecários de alto risco, o colapso levou a população estadunidense a enfrentar números altíssimos de desemprego. Com isso, muitas pessoas ficaram sem suas casas, precisaram abrir mão até dos produtos mais básicos e outros países se viram apreensivos com suas respectivas economias, já que a maior potência do planeta estava em uma situação aterrorizante.

Assim, as pessoas tiveram que procurar alternativas de subsistência que não fossem tão ligadas ao dinheiro – que havia praticamente sumido do bolso da maioria. Isso representou um rompimento com as práticas consumistas e, então, surgiu a corrente do baixo consumo, cuja bandeira já era levantada pelos movimentos hippie e punk nos anos 60 e 70. Em meio ao caos, emerge uma consciência nas pessoas, que começam a se perguntar:

O que realmente é importante para mim? Ter ou ser?

Com essa questão, grupos de formadores de opinião passaram a refletir sobre o lado nocivo do frenesi que envolve o consumo. Nesse momento, surge o lowsumerism, nome dado ao movimento pela agência Box 1824, que realiza pesquisas de tendências em inovação e comportamento do consumidor.

Mas a prática ainda não é universal. Apesar da crise e dos problemas que o consumismo trouxe, as pessoas continuam a viver em um ritmo que incentiva a aquisição de produtos constantemente. Esse padrão é cada vez mais reforçado por meios de facilitação das compras – que incluem desde políticas governamentais de incentivo até o fenômeno de crescimento de e-commerces. Por isso, o lowsumerism ainda é uma corrente de vanguarda buscando seu lugar ao sol, conquistando seu espaço aos poucos.

Lowsumerism na prática.

No dia a dia, a atuação de alguns movimentos e marcas fortalecem o lowsumerism. O movimento maker, por exemplo, busca aproximar as pessoas de ferramentas e conhecimentos para que elas possam colocar sua criatividade e habilidades em prática, construindo os mais diversos tipos de objetos ou projetos.

No marketing, o foco passou a ser o consumo de produtos locais, redes de colaboração entre pequenos produtores e a economia compartilhada. A própria tendência estética minimalista, presente no design e no mundo da moda, integra a gama de movimentos diretamente envolvidos com o consumo consciente.

A causa também é urgente para o meio ambiente: somente nas últimas três décadas, um terço dos recursos naturais da Terra foram consumidos. Para reverter a situação e garantir um futuro sustentável, a transição entre o consumo e aquilo que precisamos deve se tornar real.

E como eu posso fazer parte do lowsumerism?

Para que você consiga trazer essa mentalidade para o seu cotidiano, é preciso entender qual é o verdadeiro objetivo de uma compra, se o investimento é necessário e como o produto ou serviço pode impactar a sua vida.

Veja sete perguntas que você deve fazer a si mesmo antes de comprar alguma coisa:

  1. Você realmente precisa disso?
  2. Você pode pagar por isso?
  3. Você não está querendo comprar para ser incluído ou afirmar sua personalidade? Se a resposta for sim, é melhor dar meia volta e repensar o investimento – existem outras formas de participar de grupos sociais ou mostrar quem você é.
  4. Você sabe a origem desse produto e para onde ele vai depois?
  5. Você não está sendo persuadido por propagandas e campanhas de marketing?
  6. Você acha que essa compra irá prejudicar o planeta?
  7. Quantas dessas compras você acha que o planeta consegue verdadeiramente suportar?

Com isso em mente, as suas práticas em shoppings, mercados, e-commerces e lojas vão passar a ser mais críticas, quebrando a lógica do consumo que é implantada no nosso cotidiano.

Atenção: a mudança tem que ser genuína.

Apesar do lowsumerism ser tendência, não basta segui-lo apenas como uma nova moda. É necessário ter em mente que a prática é importante para o planeta num futuro próximo, que poderá ser vivido de maneira diferente pelas pessoas que decidirem mudar seu comportamento.

Mas, para isso, é preciso abrir mão de algumas regalias a que estamos acostumamos nessa sociedade do consumo, além de entender que a prática exige mais empenho e atenção. Já parou para pensar que plantar seus próprios alimentos, por exemplo, pode ser muito mais trabalhoso do que comprar? Ou que, ainda que você compre dos produtores que não cultivam em larga escala, o custo é mais elevado? Essas e outras condições fazem parte de um grupo de mudanças que tornam o lowsumerism uma prática pela qual é preciso vestir a camisa de verdade.

E isso também vale para o universo digital: nos últimos anos, tem acontecido uma séria inversão de valores da sociedade. Se antes “ter era ser”, o que traz prestígio para as pessoas atualmente é o número de seguidores que possuem nas redes sociais. O sonho de conseguir 1 milhão antes dos 30 anos foi substituído pelo desejo de impactar 1 milhão de pessoas – e, para atingir isso, as pessoas passam a se envolver em causas, projetos e divulgações que nem sempre acreditam.

Nessa hora, devemos pensar se queremos frear o consumo para mudar realmente nossas vidas ou para que nossos seguidores nos vejam como “precursores de tendências”.

O lowsumerism será capaz de transformar para valer o estilo de vida das pessoas. Mas não se desespere: essa mudança não acontecerá de maneira abrupta: as alterações virão aos poucos, até porque não é possível praticar um rompimento completo do modo de vida atual. A transição pode não ser simples, mas é primordial que aconteça, primeiro, em sua consciência. Afinal, toda mudança precisa começar em algum lugar, não é?

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